Dá para misturar fios grossos e finos no kumihimo de uma alça de celular?

Alça de celular em kumihimo feita com fios grossos e finos

Dá, mas a diferença entre os fios não pode ser tratada apenas como escolha de cor ou textura. Um material mais grosso ocupa espaço maior no centro, percorre curvas mais amplas e pode empurrar os fios vizinhos.

Quando esse volume fica concentrado em uma parte do disco, a alça pode sair oval, formar um arco ou apresentar uma lateral mais alta. A deformação costuma ficar mais evidente depois que o cordão é retirado do peso e descansa sobre a mesa.

Eu começaria com uma combinação moderada e faria uma amostra antes de cortar todo o material. Para uma alça que sustentará um aparelho, aparência e segurança precisam ser avaliadas juntas.

Espessura não é a única diferença que importa

Dois fios podem ter diâmetros próximos e ainda se comportar de maneiras muito diferentes. Um cordão macio se comprime dentro do trançado; outro rígido conserva praticamente todo o volume.

Compare também:

  • flexibilidade;
  • elasticidade;
  • torção;
  • acabamento encerado ou liso;
  • resistência ao atrito;
  • formato redondo ou achatado.

Uma fita estreita, por exemplo, pode parecer fina enquanto está aberta, mas ocupar bastante largura quando gira dentro do kumihimo. Um fio elástico trabalha de forma ainda mais diferente e pode relaxar depois que a tensão é retirada.

Para a primeira combinação, prefiro materiais que dobrem de maneira semelhante. Variar um pouco o diâmetro é mais previsível que misturar, ao mesmo tempo, espessura, rigidez e elasticidade muito diferentes.

Distribua o volume em lados opostos do disco

A posição dos fios grossos determina se o volume ficará equilibrado ou concentrado.

Se houver apenas dois fios mais espessos em uma montagem de oito pontas, coloque-os em posições opostas. Quando ficam lado a lado, formam uma faixa pesada que tende a puxar o cordão naquela direção.

Com quatro fios grossos e quatro finos, uma distribuição alternada costuma ser um bom ponto de partida. Outra possibilidade é criar pares espelhados, desde que os dois lados do disco recebam volumes semelhantes.

Fotografe a montagem antes de começar. Se uma ponta escapar da ranhura, a imagem ajuda a devolvê-la à posição correta sem alterar o desenho.

Não concentre todos os materiais mais grossos de um lado apenas para criar uma faixa visual. Esse efeito pode funcionar em uma peça decorativa, mas precisa ser testado com mais cuidado em uma alça submetida a peso.

Fios grossos e finos distribuídos em posições opostas no disco de kumihimo
Posições opostas repartem o volume e reduzem a tendência de o cordão curvar para um lado.

As ranhuras não podem apertar um fio e soltar outro

O fio grosso precisa sair da ranhura sem ser arrancado. Se fica comprimido, recebe mais tensão, pode achatar e altera o ritmo do movimento.

O fio fino, por outro lado, não deve recuar sozinho em uma abertura larga. Quando isso acontece, forma folga antes de chegar ao centro.

Faça algumas transferências com cada material antes de iniciar a amostra. O movimento deve permanecer leve, mesmo que a resistência percebida não seja exatamente igual.

Não aumente o peso central apenas para obrigar fios diferentes a se acomodarem. Mais carga pode compactar o cordão, mas também forçar os materiais finos e esconder uma curvatura que reaparecerá depois.

Se a tensão estiver produzindo espaços ou diâmetro irregular, o artigo sobre como corrigir um kumihimo de oito fios frouxo ajuda a separar problemas de peso e problemas de distribuição.

A amostra precisa sair do disco e descansar

Faça um trecho de pelo menos 12 a 15 centímetros com o mesmo disco, peso e sequência planejados para a alça.

Depois prenda as extremidades, retire a amostra e deixe-a repousar sem esticar. Um cordão pode parecer perfeitamente reto enquanto está puxado pelo peso e formar um arco alguns minutos depois.

Comparação entre amostra reta e amostra curva de kumihimo com fios diferentes
A comparação deve ser feita com as amostras relaxadas, sem puxar ou comprimir o cordão.

Coloque a peça sobre uma superfície plana e observe:

  • se permanece reta;
  • se o diâmetro muda ao longo do trecho;
  • se uma faixa fica mais alta;
  • se o cordão gira sozinho;
  • se os fios finos desaparecem entre os grossos.

Uma textura repetida e simétrica pode fazer parte do desenho. Já uma curva lateral persistente ou uma mudança aleatória de diâmetro indica desequilíbrio estrutural.

Fios grossos podem terminar antes

O material mais espesso costuma percorrer um caminho maior ao redor do centro. Por isso, cortar todas as pontas com o mesmo comprimento pode deixar os fios grossos curtos perto do final.

Use a própria amostra para medir o consumo. Marque quanto cada grupo possuía antes do teste e quanto restou depois de produzir um comprimento conhecido.

Se uma ponta grossa consumiu 40 centímetros para formar 10 centímetros de cordão, a proporção foi de 4 para 1. Se a fina consumiu 34 centímetros, sua proporção ficou em 3,4 para 1.

O corte inicial pode, portanto, ser diferente entre os grupos. Isso não prejudica o kumihimo; apenas evita que um material termine antes dos demais.

Para organizar a conta completa, incluindo sobra e acabamento, veja o artigo sobre como calcular o comprimento dos fios no kumihimo.

O fio mais fino não pode virar o ponto fraco

Uma alça grossa pode parecer resistente mesmo quando parte da estrutura é formada por material delicado. O diâmetro externo não garante que todos os fios suportem atrito e puxões.

Fios metalizados, fitas decorativas e materiais que desfiam com facilidade funcionam melhor como detalhe, acompanhados por fios estruturais que percorrem toda a alça.

Antes do trançado, examine cada material separadamente. Dobre, friccione levemente e veja se perde revestimento, alonga ou rompe com facilidade.

Também faça um teste de transferência de cor com pano branco ligeiramente úmido. A alça ficará em contato com mãos, roupas e possivelmente suor.

Escolha o terminal pela parte mais larga

O diâmetro precisa ser medido em vários pontos da amostra, sem apertar o cordão. O terminal deve acomodar a região mais larga, não apenas a média.

Amostra de kumihimo com fios diferentes sendo testada em terminal para alça de celular
O terminal deve receber todos os fios sem esmagar os finos nem cortar os materiais mais grossos.

Um terminal estreito comprime o conjunto e pode danificar justamente as fibras mais finas. Um modelo largo demais deixa espaço para o cordão girar ou se soltar.

Prenda a extremidade antes de cortar. Materiais de espessuras diferentes podem recuar em velocidades distintas quando o trançado é aberto.

Não retire fios estruturais para fazer a ponta caber. Se o conjunto não entra, escolha outra ferragem ou refaça a combinação com diâmetro menor.

Teste a alça completa sem usar o celular primeiro

A amostra final deve incluir cordão, terminais, argolas, mosquetão e o sistema que será conectado à capa.

Use inicialmente um peso seguro e sem valor. Aumente a carga gradualmente e observe se:

  • o terminal se movimenta;
  • o cordão alonga;
  • a curvatura aumenta;
  • algum fio começa a sair;
  • a argola abre ou gira;
  • a ligação com a capa recebe força excessiva.

Não faça balanços bruscos para provar resistência. O objetivo é localizar folgas e desgaste antes de colocar um aparelho em risco.

Mesmo uma alça bem executada precisa ser inspecionada durante o uso, especialmente perto dos terminais e nos pontos de dobra.

Mais conteúdos sobre fios, tensão, consumo e acabamento estão reunidos na categoria Kumihimo.

Eu aprovaria a combinação quando a amostra permanece reta depois de descansar, conserva o mesmo diâmetro, encaixa no terminal sem compressão e suporta o teste completo sem deslocar nenhum fio.

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