Alanchengzai e Zhentoushan: nascentes, antigas plantações e nomes desaparecidos de Yilan
Entre a “cidade de Alan” e a Montanha Travesseiro, a toponímia registra uma paisagem de água, agricultura, defesa e pequenos assentamentos que já não existem da mesma forma.
A região de Alanchengzai e Zhentoushan, em Yuanshan, possui uma concentração incomum de microtopônimos. Cada nome nasceu de uma característica muito precisa: uma pessoa, uma nascente, um cultivo, uma curva do terreno, uma antiga atividade econômica ou um pequeno núcleo familiar.
Alanchengzai: uma aldeia que recebeu o nome de Huang Alan
Segundo a crônica local de Yuanshan, em 1799, no quarto ano de Jiaqing, Huang Alan conduziu um grupo para abrir terras perto do atual Guangji Palace, em Lancheng Road. Para se defender de ataques e banditismo, os moradores construíram uma fortificação de terra.
O pequeno assentamento tornou-se conhecido pelo nome de seu fundador. A designação Alanchengzai preserva essa combinação entre um nome pessoal e a ideia de um pequeno núcleo fortificado.
A tradição situa esse episódio no quarto ano de Jiaqing. A associação entre Huang Alan e o núcleo não é apenas uma explicação posterior do nome: o próprio assentamento é descrito como uma pequena fortificação criada durante o processo de abertura das terras, num momento em que defesa e colonização caminhavam juntas.
Uma vala estreita de água cristalina
Alanchengzai era uma das áreas com maior número de nascentes. A água surgia a oeste e seguia para leste acompanhando a inclinação do terreno, formando vários pequenos cursos.
Um deles tinha cerca de um metro de largura, bambus dos dois lados e água rasa e muito limpa. Moradores construíram ali um ponto para lavar roupa. Para as crianças, o trecho funcionava como lugar de brincar na água e procurar pequenos moluscos durante o verão.
O nome popular dado ao riacho era jocoso, relacionado à extrema estreiteza da passagem. A parte superior desapareceu depois do reordenamento do solo; restou apenas um pequeno trecho abaixo do antigo lavadouro, carregado de memória para quem cresceu na comunidade.
O curso tinha escala doméstica. Com aproximadamente um metro de largura, passava entre bambuzais e recebia a água transparente das nascentes que desciam de oeste para leste. O lavadouro construído pelos moradores transformou a vala em infraestrutura cotidiana; para as crianças, o mesmo lugar era espaço de banho e de coleta de pequenos animais aquáticos.
A antiga fábrica de macarrão de arroz
Ao norte de Alanchengzai funcionou uma pequena fábrica de macarrão de arroz. O proprietário era um homem de sobrenome Xie vindo de fora, atraído pela abundância das nascentes e pela qualidade da água.
A instalação desapareceu, mas o ponto continuou conhecido entre moradores pelo nome associado à fábrica. É um exemplo de como um empreendimento pequeno pode permanecer no mapa oral muito depois de deixar de existir fisicamente.
Yanzaiyuan: tabaco e uma confusão de pronúncia
O terreno seco atrás do templo de Alanchengzai foi usado por bastante tempo para cultivar tabaco durante o período japonês. O nome local derivava dessa cultura agrícola.
Como determinadas palavras têm pronúncia próxima em taiwanês, o topônimo passou por alterações e interpretações equivocadas. Outra tradição oral afirma que a área poderia ter sido uma das parcelas distribuídas depois da abertura coletiva das terras. Nesse caso, o nome estaria associado não ao tabaco, mas a uma “parcela de jardim” de terra seca.
O próprio nome registra uma dificuldade de transmissão oral. A pronúncia taiwanesa associada ao tabaco permitiu que gerações posteriores reinterpretassem a palavra. Por isso, o texto preserva duas explicações: a longa presença das plantações durante o período japonês e a possibilidade de o nome se referir a uma parcela de terra seca distribuída depois da abertura coletiva da área.
A floresta de acácias
Ao norte do templo, na área onde hoje existe um jardim de plantas medicinais e terrenos vizinhos, grandes extensões de acácias foram plantadas no fim do período japonês.
A madeira tinha valor econômico. Servia como lenha e era considerada boa matéria-prima para suportes em minas. Por isso, os moradores chamavam a região de floresta de acácias. A paisagem persistiu até aproximadamente a década de 1970, quando árvores frutíferas passaram a substituí-las. Hoje restam apenas poucas acácias antigas.
Niulukou, o cruzamento do gado
No passado, Alanchengzai tinha áreas de jardim a oeste e arrozais a leste, e muitas famílias criavam búfalos. O trecho da atual Lancheng Road que conduz à ponte era o ponto por onde os animais saíam para pastar no leito de Dajiaoxi.
O movimento frequente dos búfalos fez surgir o nome Niulukou, o “cruzamento do caminho do gado”.
Maozaipuwei e a palha usada nos telhados
Os primeiros colonos precisavam construir com materiais encontrados localmente. Muitas casas tinham telhados de palha. Uma gramínea longa, comum em leitos secos de rios e terrenos arenosos ou pedregosos, era utilizada como cobertura e precisava ser substituída periodicamente.
No longo terreno seco ao norte de Alanchengzai, a extremidade noroeste próxima a Zhentoushan possuía solo fino e pobre para agricultura. A área acabou sendo destinada ao cultivo dessa palha de telhado. Daí surgiu o nome Maozaipuwei, a extremidade do terreno de palha.
Zhentoushan, a Montanha Travesseiro
Uma descrição antiga de Kavalan registra Zhentoushan como uma elevação situada cerca de cinco li a oeste da sede administrativa, erguendo-se na planície com forma semelhante a dois travesseiros.
A montanha se estende aproximadamente de norte a sul, com cerca de setecentos metros de comprimento e trezentos no ponto mais largo. A maior elevação fica no extremo sul, a aproximadamente 71 metros de altitude. Vista da planície oeste, sua forma incomum a transformava em importante referência visual.
Os primeiros colonos chamavam as terras a leste de Shanziqian, “frente da montanha”, e as terras secas a oeste de Shanzihou, “atrás da montanha”. Para moradores de outras partes de Yilan, Shanzihou era normalmente identificado simplesmente como Zhentoushan.
Antigamente, pessegueiros e ameixeiras eram plantados desde Dajiaoxi até a entrada da montanha. No primeiro mês lunar, a floração transformava a área em um mar de flores. Em 1954, essa paisagem foi incluída entre os “Dezoito Cenários de Lanyang” com o nome poético de “Mar de Primavera de Zhenshan”.
A descrição antiga diz que a montanha se ergue isolada na planície e que dois volumes da crista produzem a aparência de dois travesseiros. Essa forma explica não apenas o nome principal, mas vários nomes derivados — “frente da montanha”, “atrás da montanha”, “cabeça da montanha” — que organizavam espacialmente a vida dos moradores.
Shanzihou e o posto defensivo
A crônica de Yuanshan afirma que, em 1810, Li Dian e outros colonos de Zhangzhou já haviam atravessado a montanha e começado a abrir terras no lado ocidental.
Quanto mais a ocupação se aproximava das montanhas, maior era o risco de ataques Atayal. Por isso, foi instalado um posto defensivo. Um registro de Kavalan menciona o posto de Zhentoushan, situado atrás da montanha, ligado à fronteira indígena e guarnecido por dez homens.
Sanjiezidi
No lado noroeste da montanha existia um assentamento maior da família Zeng e dois núcleos menores associados às famílias Huang e Lü. As três famílias viviam próximas e o conjunto ficou conhecido como Sanjiezidi, nome que evocava três grupos unidos e capazes de cooperar.
Gongjingzai, o poço público
Shanzihou não dispunha de nascentes próximas. Dajiaoxi ficava relativamente perto, mas seu leito seco não fornecia água constante. Quarenta ou cinquenta famílias de Sanjiezidi e áreas próximas dependiam de um único poço comunitário para as necessidades diárias.
O poço tornou-se um dos pontos mais frequentados do assentamento e deu nome ao lugar: Gongjingzai ou Gongjingtouzai, literalmente o poço público.
Moradores realizavam práticas religiosas de agradecimento e proteção ao “deus do poço”, pedindo água segura. Na década de 1960, com a chegada da água encanada às casas, o poço perdeu função. Mais tarde foi coberto por chapas metálicas e finalmente ficou escondido sob o asfalto.
A importância do poço vinha da escassez. Mesmo com Dajiaoxi relativamente próximo, seu leito seco não garantia abastecimento. O poço atendia cerca de quarenta a cinquenta famílias e concentrava grande parte da circulação cotidiana. Antes da rede de água encanada, buscar água ali era parte da rotina de praticamente todo o núcleo.
Shanzitou
O setor chamado Shanzitou estava ligado à posição em relação ao extremo da montanha. A forma de Zhentoushan — dois volumes arredondados surgindo da planície — fazia com que partes do entorno fossem identificadas como cabeça, frente, atrás ou pé da elevação.
O topônimo é ligado especificamente à crista que se projeta para noroeste no lado ocidental de Zhentoushan. Essa saliência reforçava visualmente a imagem dos “dois travesseiros” mencionada nas antigas descrições geográficas; a ponta da crista passou a ser chamada de Shanzitou, literalmente a “cabeça da montanha”.
Songkuzidi
Ao sul, atrás de uma residência da Zhenshan Road, moradores antigos lembravam uma grande figueira-de-bengala. Ao lado havia uma depressão considerável no terreno, chamada localmente de kuzai. Quatro ou cinco famílias viveram em torno dela.
O núcleo ganhou o nome Songkuzidi. Depois, grandes quantidades de terra e pedras foram utilizadas para aterrar a depressão e permitir novas construções.
Lianhou
O mapa topográfico de 1904 registra um lugar chamado Lianhou ao sul do templo Qing’an e a oeste de Zhenshan Road. Com a morte das gerações mais antigas, o significado e a localização exata deixaram de ser conhecidos. O registro é preservado justamente para que o nome não desapareça completamente e possa ser investigado no futuro.
Hengzhengou, o canal hoje escondido
O canal Jinyuan captava água de Dajiaoxi e seguia por diferentes partes da região. Perto de Shanzitou, virava para o sul, passava em frente ao templo Qing’an e seguia em direção sudoeste até Shuiweizai.
Esse trecho também funcionava como limite entre Zhenshan e Toufen. Como cortava diagonalmente o território, os moradores precisavam atravessá-lo para circular e passaram a chamá-lo Hengzhengou.
Na década de 1970, o alargamento de Zhenshan Road cobriu a seção entre Shanzitou e Shuiweizai. O canal continua existindo na história local, mas deixou de ser visível no espaço cotidiano.
O canal não era apenas um curso de irrigação: funcionava também como limite entre Zhenshan e Toufen. Como seguia em diagonal e precisava ser atravessado por quem circulava entre os dois lados, tornou-se referência espacial forte. Quando Zhenshan Road foi alargada na década de 1970, o trecho entre Shanzitou e Shuiweizai foi coberto pela própria via.
Shuiweizai e o fim do canal Jinyuanhe
Zhentoushan é uma área relativamente seca, permeável e mais alta, difícil de irrigar. Em 1890, Huang Wenhe financiou a abertura de um canal; as obras foram concluídas em 1893. O sistema ficou conhecido como Jinyuanhe.
Ele captava água de Dajiaoxi e de Longmupi, atual Wanglongpi. Os cursos se uniam e seguiam ao pé das montanhas através de Zhentoushan, Jietoufen, Yongguang e Neiyuanshan, conectando-se depois a outros sistemas de água.
No ponto em que o fluxo chegava à parte final e diminuía, a comunidade aplicou novamente o nome Shuiweizai, “cauda da água”.
O canal Jinyuanhe foi financiado por Huang Wenhe em 1890 e concluído em 1893. Um relatório de investigação de canais registra que ele captava água de Dajiaoxi e de Longmupi; os fluxos se reuniam e seguiam pela base das montanhas através de Zhentoushan, Jietoufen, Yongguang e Neiyuanshan, juntando-se depois a outros sistemas. Shuiweizai ficava justamente no setor em que essa água perdia força ao alcançar o fim do percurso local.
Songzijiao
Atrás de um estabelecimento na atual Pocheng Road havia um caminho marcado por uma enorme figueira-de-bengala, tão grossa que várias pessoas seriam necessárias para abraçar o tronco. Quem atravessava o rio a pé em direção a outras áreas usava esse ponto como referência, que ficou conhecido como Songzijiao, o pé da grande árvore.
Chashanlangzai, a crista do chá
A oeste de Pocheng, antes de Neihuzai, existe uma crista estreita. O trecho norte era conhecido como Chashanlangzai, seguido por Shuijingzishan e Shenggongshan mais ao sul.
A terra pertencia à família Su e foi utilizada para cultivo de chá durante o período japonês, provavelmente um dos primeiros empreendimentos desse tipo na área. Com políticas de reflorestamento e mudanças de propriedade, os pés de chá diminuíram e desapareceram, mas o nome ligado à “montanha do chá” permaneceu.
A crista formava uma sequência com Shuijingzishan e Shenggongshan. O terreno pertencia à família Su de Sicheng, que plantava chá ali já no período japonês — provavelmente uma das primeiras plantações desse tipo na área. O reflorestamento e a posterior mudança de proprietários fizeram o cultivo desaparecer, mas não apagaram o nome.
Chenjiachengzai
Uma propriedade hoje associada a uma travessa de Zhenshan Village abrigava uma família Chen numerosa e próspera, com quase vinte residências. O núcleo era conhecido como Chenjiachengzai, a “pequena cidade da família Chen”.
Nos primeiros anos do período japonês, durante ações contra banditismo, dois membros da família teriam sido mortos por engano pela polícia. Depois disso, moradores começaram a se dispersar; hoje restam apenas poucas casas. Com a perda da concentração residencial, o nome original passou a ser confundido com outra denominação.
No auge, quase vinte casas da família Chen compunham esse pequeno núcleo. A dispersão começou depois que dois integrantes foram mortos por engano pela polícia japonesa durante ações contra o banditismo nos primeiros anos do domínio colonial. Com apenas poucas residências restantes, moradores mais novos passaram inclusive a confundir o topônimo com outra denominação local.
Shuijingzai
Numa crista a leste de Neihuzai, o setor sul recebeu o nome Shuijingzishan por causa de uma nascente. Moradores instalaram tubos de bambu para conduzir a água da montanha e transformá-la em fonte de consumo para as casas próximas.
O ponto de coleta ao pé da montanha era chamado Shuijingzai, o poço ou nascente de água.
Shenggongshan
Ao sul de Shuijingzishan há uma área montanhosa de cerca de dez hectares chamada Shenggongshan. Uma variante de pronúncia produziu o nome Xianggongshan em alguns contextos.
A terra pertencia ao Linghui Temple, em Yilan, dedicado a Kaizhang Shengwang. Como Kaizhang Shengwang também é chamado Chen Shengwang ou Shengwang Gong, a associação com a divindade explica o nome da montanha.
Caohuzidi, o lago que desapareceu
Ao sul de um assentamento da família Zhang existia uma depressão onde a sedimentação era menos intensa. O terreno mais alto ao redor fazia com que a água se acumulasse no centro, formando uma lagoa coberta por plantas aquáticas. O lugar recebeu nomes como Caonan e Caohuzai.
Depois que a lagoa começou a secar, o nome continuou sendo usado para a terra. Moradores antigos lembravam peixes nativos que viviam ali, entre eles diferentes carpas, pequenos ciprinídeos e peixes-lutadores.
O desmatamento das encostas próximas, especialmente a partir das primeiras décadas do século XX, piorou a conservação do solo. Terra e pedras foram sendo carregadas para dentro da lagoa, que ficou progressivamente rasa. O proprietário acabou aterrando a depressão. Por volta de 1961, Caohuzai desapareceu fisicamente e sobreviveu apenas como topônimo.
As lembranças locais registram a antiga fauna da lagoa: diferentes carpas, pequenos ciprinídeos e peixes-lutadores. O desaparecimento não foi súbito. O desmatamento das encostas piorou a retenção do solo, sedimentos foram preenchendo a depressão e a lâmina d’água ficou cada vez menor. Por volta de 1961, o proprietário acabou aterrando o que restava, transformando o nome em memória de uma paisagem perdida.
Houhuzhuang: uma aldeia de localização incerta
Levantamentos de terra de 1886 registram, além de Zhentoushan, uma pequena aldeia chamada Houhu. No começo do período japonês, ela ainda aparecia nos registros. Em 1900, porém, a administração reorganizou nomes e limites e Houhu foi incorporada a Zhentoushan por ter população muito pequena: apenas nove famílias e 52 habitantes segundo um levantamento da época.
A localização exata é discutida. Wanglongpi, Neihuzai e Caohuzai já foram considerados candidatos. A análise de mapas, cursos de água e distribuição das casas sugere que Neihuzai é a possibilidade mais provável.
Os dados demográficos ajudam a explicar por que Houhu desapareceu como unidade administrativa: no levantamento citado havia somente nove famílias e 52 pessoas. Quando a administração japonesa reajustou nomes e limites em 1900, o pequeno núcleo foi incorporado a Zhentoushan.
A localização foi reconstruída por eliminação. A área a oeste de Wanglongpi aparecia nos mapas como território externo e quase sem moradias; Caohuzai também não possuía um assentamento significativo. Neihuzai, ao contrário, tinha irrigação, arrozais e pequenos agrupamentos residenciais. Por isso, o estudo considera Neihuzai a hipótese mais plausível para a antiga Houhuzhuang.
Neihuzai
Subindo em direção a Dajiaoxi depois de passar Zhentoushan, o primeiro vale no lado sul do rio é chamado Neihuzai. O interior da área é baixo e o exterior mais alto. Quando o lençol freático era elevado, a água se acumulava e formava um lago temporário, explicando o nome.
Kangwangshan
Na encosta sul de Neihuzai existe um patamar plano ligado a uma tradição de bom feng shui e à presença de morcegos. Segundo a memória local, alguém colocou ali uma antiga imagem de divindade da montanha e realizou um ritual de consagração.
Com o tempo, famílias e templos próximos também passaram a levar novas imagens ao lugar antes de sua instalação definitiva. A prática teria dado origem ao nome Kangwangshan, já registrado em documentos do fim da dinastia Qing e dos primeiros anos do período japonês.
A tradição local descreve o patamar como lugar de bom feng shui e associado a morcegos. Depois da primeira consagração de uma imagem de divindade da montanha, o ponto passou a ser utilizado por famílias e templos para consagrar novas imagens antes de instalá-las definitivamente. O nome já aparece em registros do fim do período Guangxu e dos primeiros anos da administração japonesa.